LLM é a tecnologia que todo time de marketing já usa no ChatGPT, no Gemini ou no Claude, mesmo sem chamá-la por esse nome. A dúvida que aparece logo depois é outra: qual dessas ferramentas faz mais sentido para a rotina do time?
O uso cresceu rápido. Segundo o AI Index 2025, da Universidade Stanford, 71% das organizações usaram IA generativa em pelo menos uma área do negócio em 2024. Um ano antes, eram 33%.
Neste conteúdo, vamos explicar o que é um LLM, como ele funciona e como é treinado. Depois, vamos comparar ChatGPT, Gemini e Claude com critérios práticos de marketing. Se vocês ainda estão estruturando o uso de IA generativa no marketing, este guia ajuda a escolher com mais segurança.
O que é LLM (Large Language Model)
LLM, ou grande modelo de linguagem, é um modelo de inteligência artificial treinado com volumes enormes de texto para entender e gerar linguagem humana. É a tecnologia por trás de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude.
Na prática, o LLM recebe uma instrução em texto e devolve uma resposta, um resumo, uma tradução ou até um código. O “grande” do nome vem de dois fatores: a quantidade de dados usada no treinamento e o número de parâmetros do modelo, que pode chegar a centenas de bilhões.
Como um LLM funciona
Um LLM funciona prevendo a próxima palavra mais provável de uma sequência, com base nos padrões que aprendeu no treinamento. Ele quebra o texto em pequenas unidades, analisa a relação entre elas e monta a resposta parte por parte.
Tokens e previsão da próxima palavra
O modelo não lê palavras inteiras como nós. Ele divide o texto em tokens, que podem ser uma palavra, parte de uma palavra ou um sinal de pontuação.
A partir daí, o processo segue sempre a mesma lógica:
- Entrada: o texto do usuário é convertido em tokens
- Cálculo: o modelo estima qual token tem mais chance de vir em seguida
- Geração: o token escolhido entra na resposta, e o cálculo recomeça
- Repetição: o ciclo continua até a resposta ficar completa
Arquitetura transformer
Quase todos os LLMs atuais usam a arquitetura transformer, apresentada por pesquisadores do Google em 2017. Foi ela que permitiu o salto de qualidade dos modelos de linguagem.
O ponto central dessa arquitetura é o mecanismo de atenção. Com ele, o modelo avalia quais partes do texto são mais importantes para entender cada trecho:
- Contexto: o modelo entende que “banco” significa coisas diferentes em “banco de dados” e “banco da praça”
- Relações: palavras distantes na frase continuam conectadas no cálculo
- Escala: o processamento acontece em paralelo, o que viabiliza treinar com volumes gigantes de texto
Parâmetros e janela de contexto
Dois conceitos aparecem em quase toda comparação entre LLMs. Os parâmetros são os ajustes internos que o modelo aprende no treinamento e, em geral, indicam a capacidade dele. Já a janela de contexto é a quantidade de texto que o modelo consegue considerar de uma vez, somando a pergunta, os anexos e a resposta.
Tamanho, porém, já não garante desempenho. Segundo o mesmo relatório de Stanford, em 2022 o menor modelo a passar de 60% no teste MMLU tinha 540 bilhões de parâmetros. Em 2024, um modelo com 3,8 bilhões de parâmetros alcançou a mesma marca, uma redução de 142 vezes.
Como os LLMs são treinados
Os LLMs são treinados em quatro etapas principais: preparação dos dados, pré-treinamento, ajuste fino e alinhamento com feedback humano. Antes de chegar ao público, ainda passam por testes de desempenho e segurança.
Cada etapa resolve um problema diferente, e juntas elas explicam por que dois modelos de tamanho parecido podem se comportar de jeitos tão diferentes.
Preparação dos dados
Tudo começa pela base de dados. A qualidade do que entra no treinamento define boa parte da qualidade do que sai nas respostas.
- Coleta: textos de sites públicos, livros, artigos científicos e repositórios de código
- Limpeza: remoção de duplicados, spam e conteúdo de baixa qualidade
- Filtragem: exclusão de dados sensíveis e de conteúdo nocivo
- Tokenização: conversão de todo o material em tokens, a unidade que o modelo entende
Pré-treinamento
O pré-treinamento é a etapa mais longa e mais cara do processo. É nela que o modelo aprende a linguagem, a partir de bilhões de exemplos.
- Como aprende: o modelo tenta prever o próximo token de cada trecho e corrige os próprios erros, sem rótulos humanos
- O que aprende: gramática, fatos, estilos de escrita e relações entre conceitos
- Infraestrutura: o processo leva semanas ou meses em milhares de processadores especializados
- Resultado: um modelo base, que completa textos com fluidez, mas ainda não segue instruções com precisão
Ajuste fino (fine-tuning)
No ajuste fino, o modelo base aprende a conversar e executar tarefas. O treinamento passa a usar exemplos selecionados e bem mais específicos.
- Instruções: pares de pergunta e resposta ensinam o modelo a seguir pedidos
- Formato: o modelo aprende a responder em diálogo, com estrutura e clareza
- Especialização: versões ajustadas para áreas como direito, saúde ou programação
- Uso empresarial: empresas também podem ajustar modelos com dados próprios, para tarefas muito específicas
Alinhamento com feedback humano (RLHF)
O aprendizado por reforço com feedback humano, conhecido pela sigla RLHF, refina o comportamento do modelo. É aqui que ele aprende quais respostas são mais úteis para as pessoas.
- Avaliação humana: pessoas comparam respostas diferentes para a mesma pergunta e indicam a melhor
- Modelo de recompensa: essas preferências viram um sistema que pontua cada resposta
- Reforço: o LLM é treinado para buscar as respostas com maior pontuação
- Resultado: respostas mais úteis, claras e seguras
Testes e avaliação
Antes do lançamento, cada modelo passa por baterias de testes. Essa etapa continua depois da publicação, com atualizações frequentes.
- Benchmarks: testes padronizados medem raciocínio, conhecimento e programação
- Testes de segurança: equipes tentam provocar respostas nocivas para corrigir falhas
- Atualizações: novas versões chegam com dados mais recentes e ajustes de comportamento
No fim, os dados escolhidos e o ajuste fino definem boa parte da “personalidade” de cada modelo. Por isso, ChatGPT, Gemini e Claude respondem de jeitos diferentes à mesma pergunta.
LLM, IA generativa e agentes de IA: qual a diferença
IA generativa é a categoria ampla de sistemas que criam conteúdo, como texto, imagem, áudio e vídeo. O LLM é o tipo de IA generativa especializado em linguagem. Já o agente de IA usa um LLM como base para planejar e executar tarefas de várias etapas, com acesso a ferramentas e sistemas.
Os três conceitos funcionam como camadas, e a tabela abaixo mostra onde cada um atua:
| Critério | IA generativa | LLM | Agente de IA |
|---|---|---|---|
| O que é | Categoria de IA que cria conteúdo novo | Modelo de IA generativa focado em linguagem | Sistema que usa um LLM para executar tarefas |
| O que produz | Texto, imagem, áudio, vídeo e código | Texto e código | Ações e resultados de tarefas completas |
| Como atua | Gera conteúdo a partir de um pedido | Responde a instruções em texto | Planeja etapas, usa ferramentas e decide o próximo passo |
| Autonomia | Depende de um pedido a cada interação | Depende de um pedido a cada interação | Executa várias etapas com pouca intervenção |
| Exemplos | Geradores de imagem e vídeo | GPT, Gemini, Claude, Llama | Assistentes que pesquisam, preenchem sistemas e enviam relatórios |
| Uso em marketing | Peças visuais, vídeos e áudios | Textos, resumos e análises | Rotinas como monitoramento, relatórios e qualificação de contatos |
Na prática, a IA generativa é o guarda-chuva, o LLM é o motor de linguagem e o agente é quem coloca esse motor para trabalhar dentro de um processo. Para entender como essa última camada já aparece nas operações, vale conhecer o uso de agentes de IA para empresas.
Principais LLMs do mercado
Os LLMs mais usados hoje se dividem em dois grupos. Os proprietários incluem GPT (OpenAI), Gemini (Google) e Claude (Anthropic). Os abertos, como Llama (Meta) e parte dos modelos da Mistral, liberam os pesos para que a própria empresa instale e adapte.
Para times de marketing, os três proprietários concentram a maior parte do uso. Eles chegam prontos em aplicativos fáceis de usar e evoluem a cada poucos meses.
O custo também ajudou a popularizar a tecnologia. O mesmo relatório mostra que usar um modelo com desempenho equivalente ao GPT-3.5 ficou mais de 280 vezes mais barato entre novembro de 2022 e outubro de 2024. O preço caiu de US$ 20 para US$ 0,07 por milhão de tokens.
Como escolher um LLM para marketing
A escolha depende de cinco critérios: qualidade de escrita, acesso a informações atualizadas, análise de dados, integração com as ferramentas do time e privacidade. O melhor teste é a tarefa que o time mais repete na semana.
Qualidade de escrita e controle de tom
Para quem produz conteúdo, este costuma ser o critério decisivo. Afinal, um texto genérico exige tanta revisão que o ganho de tempo desaparece.
Na avaliação, observem principalmente:
- Naturalidade: o texto soa humano ou cheio de fórmulas repetidas?
- Aderência ao tom: o modelo segue o guia de voz da marca sem escorregar?
- Textos longos: a qualidade se mantém do começo ao fim do material?
Pesquisa e acesso a informações atualizadas
O acesso à web faz diferença para pautas de tendência ou análise de concorrentes, porque todo LLM tem uma data de corte no treinamento.
Os pontos para comparar são:
- Busca em tempo real: a ferramenta consulta a internet durante a resposta?
- Citação de fontes: os links aparecem para conferência?
- Pesquisa aprofundada: existe um modo que monta relatórios com várias fontes?
Análise de dados e documentos longos
Para analisar dados e documentos longos, o que mais pesa é a janela de contexto e a capacidade de leitura de arquivos. Relatórios de campanha, planilhas e apresentações fazem parte da rotina de marketing.
Antes de decidir, testem com materiais reais do time:
- Volume: o modelo lê um relatório inteiro sem perder informações?
- Planilhas: ele calcula, cruza dados e gera gráficos?
- Precisão: os números citados batem com o arquivo original?
Integração com as ferramentas do time
Um LLM rende mais quando fica perto de onde o trabalho acontece. Se o time precisa copiar e colar o tempo todo, a adoção cai.
Por isso, vale avaliar a integração com o pacote de escritório que vocês usam, seja Google Workspace ou Microsoft 365.
Também pesam os conectores com drives, CRM e ferramentas de gestão, além da possibilidade de criar fluxos e assistentes personalizados para tarefas recorrentes.
Privacidade e uso corporativo
Quando o time trabalha com dados de clientes, propostas e números internos, a versão gratuita não oferece a proteção necessária. Os planos corporativos existem justamente para isso.
Antes de contratar, confiram nos termos de uso:
- Treinamento: os dados da empresa ficam fora do treinamento dos modelos?
- Administração: existe painel para gerenciar usuários e permissões?
- Conformidade: o plano atende às exigências da LGPD e às políticas internas?
Mesmo com o plano certo, a ferramenta funciona melhor quando vem acompanhada de regras internas claras. Uma política de governança de IA define quem usa, para quê e com quais dados.
ChatGPT, Gemini e Claude: pontos fortes de cada um
Os três estão próximos em desempenho geral, e o que muda é onde cada um se destaca. O ChatGPT é o mais versátil, o Gemini é o mais integrado ao ecossistema Google, e o Claude se sobressai em escrita e documentos longos. Como os modelos são atualizados a cada poucos meses, vale conferir a versão vigente de cada ferramenta antes de decidir.
ChatGPT
O ChatGPT, da OpenAI, é o assistente com o ecossistema mais amplo. Ele funciona bem como ferramenta “para tudo” e costuma ser a porta de entrada dos times.
Os destaques para marketing são:
- Versatilidade: dá conta de textos, análises, pesquisas e ideias de campanha
- Recursos visuais: gera imagens dentro da própria conversa
- Personalização: permite criar assistentes próprios para tarefas recorrentes
- Integrações: conecta-se a muitas ferramentas de terceiros
Gemini
Se vocês já trabalham no Google Workspace, o Gemini, do Google, é a escolha natural. Ele aparece dentro do Gmail, do Docs, do Sheets e do Meet.
Os destaques para marketing são:
- Integração: acessa arquivos e e-mails do time sem sair do ambiente Google
- Multimodalidade: lida bem com texto, imagem, áudio e vídeo
- Janela de contexto: está entre as maiores do mercado, o que ajuda com materiais extensos
- Pesquisa: usa a busca do Google como base, com acesso direto aos resultados mais recentes
Claude
O Claude, da Anthropic, ganhou espaço entre quem prioriza qualidade de texto. Se esse é o foco de vocês, ele se destaca pela escrita natural e pelo bom controle de tom.
Os destaques para marketing são:
- Escrita: textos mais fluidos e com menos fórmulas repetidas
- Documentos longos: mantém a coerência em análises e materiais extensos
- Instruções complexas: segue briefings detalhados com bastante precisão
- Limitação: não gera imagens de forma nativa, então precisa de outra ferramenta para peças visuais
Qual LLM usar em cada tarefa de marketing
O caminho mais comum é combinar ferramentas por tarefa, de acordo com o ponto forte de cada uma e com o ambiente em que o time já trabalha, já que cada LLM se destaca em atividades diferentes.
Uma divisão prática ajuda a começar:
- Artigos, roteiros e textos longos: Claude, pela qualidade de escrita
- Revisão de textos com guia de estilo: Claude, pelo controle de tom em instruções longas
- Pesquisa de tendências e concorrentes: qualquer um dos três com busca na web ativada; o Gemini leva vantagem para quem já usa o ecossistema Google
- Análise de planilhas e relatórios: Gemini para quem usa Google Workspace; ChatGPT para arquivos variados
- Criação de imagens e peças rápidas: ChatGPT ou Gemini
Essa divisão é um ponto de partida, e cada time precisa validar com as próprias tarefas. Em textos persuasivos, por exemplo, a qualidade do resultado depende tanto do modelo quanto do método, como mostramos no conteúdo sobre IA para copywriting.
Quanto custam ChatGPT, Gemini e Claude
Os três oferecem plano gratuito e uma assinatura individual na faixa de US$ 20 por mês, segundo as páginas oficiais do ChatGPT, do Gemini e do Claude. Planos de equipe e empresariais têm valores próprios, cobrados por usuário.
Entre os planos, as diferenças aparecem em três pontos:
- Limites de uso: quantidade de mensagens e arquivos por período
- Acesso a modelos: as versões mais avançadas costumam ficar nos planos pagos
- Recursos corporativos: administração, segurança e controle sobre os dados
Como os valores são cobrados em dólar e mudam com frequência, confirmem os preços nas páginas oficiais antes de aprovar o orçamento.
Como os LLMs escolhem as fontes que citam
Quando consultam a web, os LLMs tendem a dar preferência a fontes claras, confiáveis e fáceis de extrair. Na prática, isso favorece conteúdo com definições diretas, dados com fonte, autoria identificada e boa estrutura técnica.
Entre os sinais que ajudam nessa escolha, estão:
- Resposta direta: seções que entregam a resposta logo no início
- Dados verificáveis: números com fonte, ano e contexto
- Autoridade tópica: vários conteúdos conectados sobre o mesmo tema
- Consistência de marca: a mesma descrição da empresa em todos os canais
- Acesso técnico: páginas rápidas, rastreáveis e sem bloqueios
É essa lógica que ajuda a explicar quais marcas aparecem nas respostas do ChatGPT, do Gemini e do Perplexity. Para aprofundar cada um desses pontos, vejam o guia sobre como aparecer nas IAs.
Limitações e riscos dos LLMs
Os principais riscos dos LLMs são alucinações, vieses, informações desatualizadas e exposição de dados sensíveis. Por isso, revisão humana e regras de uso são indispensáveis no ambiente corporativo.
Cada risco pede um cuidado específico:
- Alucinações: o modelo pode inventar dados com total confiança, então todo número precisa de checagem
- Vieses: os padrões dos dados de treinamento aparecem nas respostas
- Desatualização: sem busca na web, o modelo responde com base na data de corte
- Dados sensíveis: informações de clientes não devem entrar em versões sem proteção corporativa
Esses limites mostram onde o olhar humano continua essencial. O tema aparece com mais detalhes no conteúdo sobre os limites da inteligência artificial.
Como a Layer Up ajuda marcas a ganhar relevância nas respostas das IAs
A Layer Up ajuda marcas a ganhar relevância nas IAs aplicando no conteúdo os critérios de escolha de fontes que mostramos acima, com método e consistência. E começamos testando em casa.
No nosso próprio blog, esse método já aparece nos resultados. Hoje, temos 12 conteúdos citados nas respostas de IA do Google, que posicionam a Layer Up como referência em diferentes segmentos e serviços.
Também temos nota 75 de presença no Gemini e nota 50 no ChatGPT, em uma escala de 0 a 100, segundo o diagnóstico Radar GEO, da RD Station, feito em novembro de 2026.
Para chegar lá, juntamos as frentes de Growth e Conteúdo. Com SEO, CRO e BI, cuidamos da base técnica e da leitura dos dados, como o acompanhamento do tráfego de IA.
Na produção, estruturamos cada conteúdo com resposta direta, fontes identificadas e intenção de busca bem definida. O objetivo é que a marca de vocês seja encontrada, entendida e considerada pelas IAs quando o assunto é o seu mercado.
FAQ – Perguntas Frequentes Sobre LLM
O que significa LLM?
LLM é a sigla de Large Language Model, que em português significa grande modelo de linguagem. O termo se refere a modelos de inteligência artificial treinados com grandes volumes de texto para entender e gerar linguagem.
O ChatGPT é um LLM?
Na prática, sim. Tecnicamente, o ChatGPT é o aplicativo, e os modelos GPT, da OpenAI, são os LLMs que fazem ele funcionar. A mesma lógica vale para o Gemini e o Claude.
Dá para usar mais de um LLM no mesmo time?
Sim, e essa é uma prática cada vez mais comum. Muitos times combinam ferramentas por tarefa, usando um modelo para textos longos e outro para pesquisa ou análise de dados. O importante é definir regras claras de uso para cada ferramenta.
Vale a pena uma empresa criar o próprio LLM?
Para a maioria das empresas, não. Treinar um modelo do zero exige muitos dados, alto investimento e equipe especializada. Na maior parte dos casos, adaptar um LLM existente com boas instruções e acesso aos dados internos já resolve.
