Shoppable Ads são formatos de mídia conectados ao catálogo da loja que encurtam a distância entre ver um produto e comprá-lo. Antes, era preciso sair da rede social, buscar a loja e encontrar o item. Agora, tudo acontece em poucos toques, a partir do próprio anúncio. O consumidor já se adaptou a isso.
Segundo o Relatório do Varejo 2025 da Adyen, divulgado em julho de 2025, 55% dos brasileiros já usavam redes sociais como canal de compra, como mostrou o Meio & Mensagem.
As empresas, por outro lado, estavam atrás. O mesmo estudo mostrou que só 23% das empresas brasileiras pretendiam investir em social commerce para crescer a receita em 2025. Para quem se organiza antes, esse descompasso é uma janela.
Neste guia, vamos mostrar a vocês como o formato funciona, o que preparar, como medir e quais sinais indicam que está dando certo. Para entender o cenário em que ele ganha espaço, vale ler também nosso conteúdo sobre tendências de e-commerce.
O que é Shoppable Ads?
Shoppable Ads são anúncios que permitem comprar o produto exibido com poucos cliques, a partir do próprio anúncio. Eles usam dados de um catálogo, como preço, foto e estoque. O usuário vai direto à página do produto ou conclui a compra dentro da plataforma.
Em português, o formato também aparece como anúncios compráveis. Ele está presente no Google, no Meta, no TikTok, no YouTube e em marketplaces, cada um com regras e nomes próprios.
Como funcionam os Shoppable Ads?
Os Shoppable Ads funcionam a partir de um catálogo de produtos conectado à plataforma de anúncios. Cada item exibido é vinculado a um produto desse catálogo, e o clique leva à compra. Quando o preço muda ou o estoque acaba na loja, o anúncio acompanha.
Depois do clique, a jornada segue por um de dois modelos. A escolha entre eles muda quem controla a experiência, os dados e a margem.
Compra dentro da plataforma
Neste modelo, o usuário conclui a compra sem sair do app. Ele escolhe o produto, preenche os dados e paga ali mesmo, como acontece no TikTok Shop.
A vantagem é a jornada mais curta possível. Em contrapartida, a loja tem menos controle sobre a experiência e sobre os dados do comprador, além de pagar comissão à plataforma.
Redirecionamento para a loja virtual
Neste modelo, o anúncio mostra o produto com preço e leva o usuário direto à página do item na loja virtual. É o caso dos anúncios do Google Shopping e dos anúncios de catálogo do Meta.
A loja mantém o relacionamento com o cliente e a margem integral da venda. A conversão, porém, passa a depender da qualidade da página de produto e do checkout.
Quais são os principais formatos de Shoppable Ads?
Os principais formatos são Google Shopping, anúncios de catálogo do Meta, vídeos do TikTok ligados ao TikTok Shop, vídeos com produtos no YouTube e produtos patrocinados em marketplaces. Todos exibem o item com preço e levam à compra a partir do anúncio.
A escolha do formato depende de onde o público de vocês já compra e de como o produto é decidido. Itens que as pessoas pesquisam pelo nome rendem mais em buscas. Produtos que precisam ser vistos em uso ganham força em vídeo.
Google Shopping e Performance Max
O Google Shopping exibe o produto com foto, preço e nome da loja no momento em que a pessoa pesquisa por ele. É o formato que captura a demanda que já existe.
- Como aparece: na busca do Google, na aba Shopping e, com Performance Max, também no YouTube, no Gmail e na rede de display.
- Indicado para: produtos procurados pelo nome, modelo ou categoria.
- O que exige: feed de produtos completo no Google Merchant Center.
Para aprofundar a estrutura de campanhas nessa frente, nosso conteúdo sobre Google Ads para e-commerce detalha os tipos de campanha.
Anúncios de catálogo do Meta
Os anúncios de catálogo do Meta mostram produtos no Facebook e no Instagram durante a navegação pelo feed, pelos stories e pelos reels. Eles trabalham a descoberta, alcançando quem ainda não estava procurando.
- Como aparece: em carrossel, coleção ou imagem única, com preço e link para o produto.
- Indicado para: recuperar quem visitou produtos e apresentar o catálogo a públicos parecidos com os compradores.
- O que exige: catálogo conectado ao gerenciador de anúncios e eventos de conversão configurados.
Anúncios em vídeo do TikTok
No TikTok, o vídeo leva direto à vitrine da marca no TikTok Shop, presente no Brasil desde 2025. A compra pode acontecer sem sair do app.
- Como aparece: vídeos com produtos marcados no feed, além de lives com produtos compráveis.
- Indicado para: produtos visuais, de tendência ou que dependem de demonstração.
- O que exige: conta no TikTok Shop, catálogo cadastrado e criativos com linguagem nativa da plataforma.
Vídeos com produtos no YouTube
No YouTube, o anúncio em vídeo ganha uma faixa de produtos logo abaixo do conteúdo. Quem assiste pode clicar no item sem interromper a experiência.
- Como aparece: produtos do feed exibidos junto aos anúncios em vídeo.
- Indicado para: produtos que precisam de explicação, comparação ou tutorial.
- O que exige: feed do Merchant Center vinculado à conta de anúncios.
Produtos patrocinados em marketplaces
Nos marketplaces, o anúncio aparece dentro da busca da própria plataforma, entre os resultados orgânicos. A pessoa já está no ambiente de compra quando vê o produto.
- Como aparece: destaque nas buscas e nas páginas de categoria do Mercado Livre, da Amazon e da Shopee.
- Indicado para: marcas que já vendem nesses canais e querem ganhar posição nas buscas.
- O que exige: produtos cadastrados no marketplace e boa reputação de vendedor.
Quais as vantagens dos Shoppable Ads para o e-commerce?
A principal vantagem é encurtar o caminho entre descobrir um produto e comprá-lo. Com menos etapas, a loja perde menos compradores ao longo da jornada.
Os outros ganhos aparecem em frentes diferentes:
- Influência transformada em venda: 51% dos brasileiros ficam mais propensos a comprar ao ver amigos, influenciadores ou celebridades usando um produto, segundo o mesmo relatório da Adyen. O formato coloca o botão de compra exatamente nesse momento.
- Leitura por produto: cada clique e venda fica associado a um item do catálogo. Isso mostra quais produtos têm apelo em cada canal, algo que um anúncio de marca não revela.
- Escala sem refazer peças: um único anúncio dinâmico exibe centenas de produtos, com preço e estoque atualizados pela própria loja.
Shoppable Ads, retail media e anúncios tradicionais: qual a diferença?
Shoppable Ads são definidos pelo formato: o anúncio leva à compra direta do produto. Retail media é definido pelo local: anúncios veiculados dentro dos canais de um varejista, como marketplaces e apps de delivery. Anúncios tradicionais apresentam a marca ou a oferta e dependem de etapas extras até a compra.
| Critério | Shoppable Ads | Retail media | Anúncios tradicionais |
|---|---|---|---|
| O que define | Formato que permite comprar a partir do anúncio | Veiculação dentro dos canais de um varejista | Peça que divulga marca, produto ou oferta |
| Onde aparece | Google, Meta, TikTok, YouTube e marketplaces | Marketplaces, sites de varejo, apps de delivery | Redes sociais, sites, vídeo, TV, mídia externa |
| Origem dos dados | Catálogo de produtos (preço, foto, estoque) | Dados de compra do próprio varejista | Segmentação da plataforma de mídia |
| Caminho até a compra | Um ou dois cliques | Curto, já no ambiente de compra | Várias etapas até a loja |
| Objetivo principal | Venda direta do item exibido | Venda e visibilidade no ponto de compra | Alcance, lembrança e consideração |
| Métrica central | ROAS e custo por compra | ROAS e participação nas vendas da categoria | Alcance, CTR e custo por mil impressões |
Os conceitos se sobrepõem com frequência. Um produto patrocinado no Mercado Livre, por exemplo, é ao mesmo tempo um Shoppable Ad e uma ação de retail media. Explicamos como funciona essa segunda frente no conteúdo sobre retail media.
Como implementar Shoppable Ads na estratégia de e-commerce?
A implementação começa pelo catálogo de produtos e pelo rastreamento de conversões. Com essas bases prontas, vocês escolhem as plataformas onde o público já compra. Depois, produzem criativos com os produtos em uso e revisam a página que recebe o clique.
A ordem importa. Anúncio comprável com catálogo desorganizado só mostra a desorganização para mais gente, e mais rápido.
Como estruturar o catálogo de produtos
O catálogo é a matéria-prima de todo Shoppable Ad. É dele que a plataforma tira foto, preço, título e disponibilidade de cada item, e qualquer falha aparece direto no anúncio.
Os pontos que mais pesam:
- Títulos descritivos, com marca, modelo, tamanho ou cor, na ordem em que o comprador pesquisa.
- Categorias preenchidas no nível mais específico que cada plataforma permite.
- Preço e estoque sincronizados de forma automática, para evitar anúncios de itens esgotados.
- Imagens limpas, sem textos promocionais sobrepostos, que costumam gerar reprovação.
- Variações agrupadas (cores e tamanhos do mesmo produto), para o anúncio não exibir itens duplicados.
Como configurar o rastreamento de conversões
O rastreamento é o que permite à plataforma saber quais anúncios geraram venda. Sem ele, o algoritmo não aprende quem compra e passa a entregar para quem só clica.
A configuração mínima inclui:
- Eventos de jornada: visualização de produto, adição ao carrinho, início do checkout e compra.
- Valor e ID do item em cada evento, para ligar a venda ao produto exato do catálogo.
- Envio pelo servidor, além do pixel, para reduzir a perda de dados causada por bloqueadores.
Antes de ativar a primeira campanha, façam uma compra de teste e confirmem que o evento aparece com o valor correto. Detalhamos esse passo a passo no conteúdo sobre pixel de conversão.
Como escolher as plataformas
A plataforma certa é aquela onde o público de vocês já pesquisa ou compra. Abrir todos os formatos de uma vez divide a verba e atrasa o aprendizado de cada canal.
Critérios que ajudam na escolha:
- Produto buscado pelo nome: comecem pelo Google Shopping.
- Produto de descoberta ou que pede demonstração: priorizem Meta e TikTok.
- Categoria forte em marketplace: avaliem os produtos patrocinados da plataforma onde vocês já vendem.
- Público jovem e consumo por vídeo: testem TikTok e YouTube com criativos nativos.
Como produzir criativos que vendem
O criativo de um Shoppable Ad precisa fazer o trabalho de um vendedor: mostrar o produto, responder dúvidas e dar motivo para comprar agora. Foto de estúdio, sozinha, raramente cumpre esse papel.
O que costuma funcionar:
- Produto em uso, no contexto em que o cliente vai usá-lo.
- Conteúdo de criadores e clientes, que aproveita a influência social sobre a compra.
- Informação decisiva visível: preço, frete, parcelamento ou prazo de entrega.
- Primeiros segundos fortes nos vídeos, com o produto aparecendo logo no início.
Como preparar a página de produto
No modelo de redirecionamento, a página de produto é quem fecha a venda. Um anúncio eficiente que leva a uma página lenta desperdiça o clique mais valioso da jornada.
Antes de investir, confiram se a página tem:
- Carregamento rápido no celular, onde a maior parte dos cliques acontece.
- Mesmo preço e mesma oferta do anúncio, sem surpresa ao chegar.
- Frete e prazo visíveis antes do carrinho.
- Checkout curto, com poucos campos e meios de pagamento conhecidos.
Tratamos a otimização dessa etapa em detalhe no conteúdo sobre CRO para e-commerce.
Quais métricas acompanhar em Shoppable Ads?
As métricas centrais são ROAS, custo por compra, taxa de cliques por produto, taxa de conversão e ticket médio. Lidas por produto, elas mostram quais itens do catálogo vendem bem no formato e onde ajustar criativo, preço ou página.
O que medir
Cada métrica responde a uma pergunta diferente sobre a campanha. Vale acompanhar todas por produto, além do total da conta.
- ROAS: receita gerada pelos anúncios dividida pelo investimento. Responde se a campanha dá retorno.
- Custo por compra: investimento dividido pelo número de compras. Responde quanto custa cada pedido.
- Taxa de cliques por produto: cliques divididos pelas impressões de cada item. Responde se o produto chama atenção no formato.
- Taxa de conversão: compras divididas pelos cliques. Responde se a página e o checkout seguram o interesse.
- Ticket médio: receita dividida pelo número de pedidos vindos dos anúncios. Responde se o anúncio atrai compras de valor adequado.
Sinais de alerta
Alguns padrões indicam que a campanha está gastando sem converter. Quanto antes vocês identificarem, menos verba se perde.
- Muitos cliques e pouca conversão: o problema está depois do anúncio, na página, no preço ou no frete.
- Poucos cliques em um produto que vende bem no site: o criativo ou a foto não está mostrando o valor do item.
- ROAS abaixo do ponto de equilíbrio por semanas seguidas: a margem do produto não sustenta o custo do canal.
- Vendas concentradas em poucos itens: o catálogo pode estar com títulos fracos ou produtos reprovados.
- Queda de desempenho depois de semanas estáveis: sinal de saturação do criativo, que precisa ser renovado.
Sinais de que está funcionando
Uma campanha saudável mostra consistência, além de bons números isolados. Estes são os sinais de que vale manter e ampliar:
- ROAS acima do equilíbrio de forma estável por várias semanas seguidas.
- Custo por compra estável mesmo com aumento gradual de verba.
- Vendas distribuídas por vários produtos do catálogo.
- Taxa de conversão do anúncio próxima à média da loja, o que indica que a página está alinhada à oferta.
Para calcular o ponto de equilíbrio e interpretar o retorno da mídia, explicamos o passo a passo no conteúdo sobre ROAS.
Quais são as tendências para os Shoppable Ads?
As principais tendências são três: a compra dentro das redes sociais, o live commerce e a inteligência artificial na criação e na recomendação de anúncios.
- Compra nativa nas redes: mais plataformas permitem concluir o pedido sem sair do app. O movimento para agora é cadastrar o catálogo nessas vitrines antes da concorrência.
- Live commerce: transmissões ao vivo com produtos compráveis em tempo real, que unem demonstração, prova social e urgência. Funciona melhor em lançamentos e datas sazonais.
- IA na criação e na recomendação: sistemas escolhem automaticamente quais produtos mostrar, em qual formato e para quem. Quanto mais completo o catálogo, melhor a IA trabalha.
Essa última frente se conecta a uma mudança maior, em que agentes de IA passam a pesquisar e comprar em nome do consumidor. Exploramos esse cenário no conteúdo sobre comércio agêntico.
Como integrar Shoppable Ads ao restante da estratégia de mídia
Shoppable Ads rendem mais quando conversam com os outros canais da loja. Além da venda imediata, eles passam a alimentar remarketing, recompra e conhecimento sobre o cliente.
Na Layer Up, tratamos o formato como uma peça da operação de mídia e performance. O trabalho começa por um diagnóstico do catálogo e do rastreamento, porque é ali que a maioria das contas perde eficiência. Em seguida, conectamos o formato ao restante da jornada:
- Conteúdo e influenciadores produzindo os criativos que mostram o produto em uso.
- Remarketing com os produtos vistos por cada pessoa.
- CRO na página de produto, para o clique virar pedido.
- BI lendo o resultado por produto e por canal, para a verba seguir o que vende.
A loja de vocês já tem catálogo e tráfego, mas os anúncios ainda não convertem na mesma proporção? Então vale olhar para a estrutura de mídia como um todo. Conheçam nossos serviços e vamos conversar sobre o próximo passo da loja de vocês.
FAQ – Perguntas Frequentes Sobre Shoppable Ads
Shoppable Ads vale a pena para lojas pequenas?
Vale, desde que a loja tenha um catálogo organizado e rastreamento de vendas funcionando. O ideal é começar por um único canal, onde o público já compra, e concentrar a verba nos produtos de melhor margem. Ampliar para outros formatos faz sentido depois que os primeiros dados mostram o que vende.
Preciso ter loja virtual para usar Shoppable Ads?
Depende do formato. Plataformas com compra nativa, como o TikTok Shop e os marketplaces, permitem vender sem uma loja própria. Já os anúncios do Google Shopping e os de catálogo do Meta levam o usuário a uma página de produto, o que exige um site de e-commerce.
Quanto custa anunciar com Shoppable Ads?
Não existe um valor fixo, porque a cobrança funciona por leilão. Na maioria das plataformas, a loja paga por clique ou por mil impressões, e o custo varia conforme concorrência, categoria e época do ano. O mais seguro é definir a verba a partir da margem de cada produto e do custo por compra que a operação suporta.
Shoppable Ads funciona no B2B?
Funciona em operações B2B com venda online de produtos padronizados, como insumos, peças e materiais de reposição. Nesses casos, o comprador profissional também pesquisa preço e disponibilidade antes de fechar o pedido. Em vendas complexas, que dependem de negociação, o formato funciona como porta de entrada para o contato comercial.
